quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ana, Dilermando de Assis e Euclides da Cunha no novo livro de Mary del Priore

No dia 15 de agosto de 1909, Dilermando de Assis matou Euclides da Cunha. Dilermando havia-se tornado amante de Ana Emília da Cunha quatro anos antes, quando ele tinha 17e ela 33 anos. Ana Emília era esposa de Euclides, de quem tinha três filhos. Em 1909, ela já havia tido mais um filho, mas de Dilermando.

Ana e Dilermando estavam na casa deste na Piedade quando Euclides apareceu e, revólver em punho, começou a atirar. Dinorah, irmão de Dilermando, foi ferido. Dilermando também. Dilermando, aspirante a oficial do Exército e campeão de tiro, revidou e matou Euclides.



O caso ganhou manchetes sensacionalistas, era a tragédia da Piedade. A moral e a lei da época justificavam a atitude de Euclides contra sua mulher adúltera e seu amante. Dilermando foi preso, julgado e absolvido duas vezes.

Em liberdade, Dilermando e Ana casaram-se.

No dia 4 de julho de 1916, Euclides da Cunha Filho tentou vingar o pai. Surpreendeu Dilermando num cartório e disparou contra ele, atingindo-o várias vezes. Novamente, Dilermando revidou e matou Euclides Filho. Não morreu, foi novamente julgado e novamente absolvido.

Dilermando e Ana tiveram vários filhos, mas não viveram felizes para sempre. Dilermando encontrou Marieta, por quem deixou Ana. Depois da morte desta, Dilermando e Marieta casaram-se.

Dinorah, ferido na tragédia da Piedade, foi titular do Botafogo quando este ganhou o campeonato de 1910 (está no hino do clube). Mas a bala do tiro de Euclides, que não havia sido retirada e alojara-se na coluna de Dinorah, cobrou seu preço com o tempo. Dinorah ficou parapéglico, tornou-se alcoólatra, esteve internado num hospício e acabou suicidando-se atirando-se no rio Guaíba.

Outro filho de Euclides e Ana afastou-se do Rio após a tragédia da Piedade. Foi trabalhar no Acre, onde acabou morto a tiros.



Tudo isto está maravilhosamente contado no mais recente livro da Mary del Priore, autora, dentre outros, do excelente O Príncipe Maldito. Trata-se de Matar para não Morrer – A Morte de Euclides da Cunha e a Noite sem Fim de Dilermando de Assis.

Recomendo entusiasticamente.

4 comentários:

  1. Mary del Priore é uma garantia de boa leitura.
    A história desse triângulo amoroso é fascinante, embora ainda não tenha lido o livro da Mary, o que farei com certeza em breve, li, há muitos anos,um sobre o mesmo tema cujo título é Ana de Assis, também muito bom, não me recordo o nome do(a) autor(a).

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  2. Lucia:
    Este outro livro é "Anna de Assis - História de um Trágico Amor". Trata-se de um depoimento de Judith Ribeiro de Assis, filha da Ana com o Dilermando, dado a Jeferson de Andrade. Foi editado em 1987 e também é ótimo.
    Também houve uma minissérie da Globo, "Desejo", levada ao ar em 1990. Tarcísio Meira era Euclides, Guilherme Fontes era Dilermando e Vera Fischer era Ana.
    Fernando

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  3. Eu vi a minissérie, mas ela termina quando morre o Euclides...pelo que entendi o livro se estende na história. Boa dica.
    Gosto muito da autora,li dela "O mal sobre a terra o terremoto de Lisboa de 1755" e o "Príncipe Maldito". Gostei muito dos dois.

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  4. Bianca:
    Eu também vi a minissérie, mas a história foi muito mais longe, porque o Dilermando, além de ter de matar o Euclides pai em legítima defesa, também teve de matar o Euclides filho.
    O livro, como todos os da Mary del Priore, é realmente excelente.

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