segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O homem que enganou Perón

No final dos anos 40, a Argentina havia se tornado o refúgio predileto de ex-colaboradores do regime nazista. Juan Domingo Perón era o presidente.

Um destes ex-colaboradores, Kurt Tank, foi o responsável pelo desenvolvimento do primeiro avião caça a ser construído na América do Sul, na Argentina por supuesto.

Tank apresentou o austríaco Ronald Richter a Perón em agosto de 1948. E Perón encarregou Richter de desenvolver o programa nuclear argentino.

Richter instalou sua “planta nuclear” numa ilha de um lago em Bariloche.

Em 24 de março de 1951, o governo argentino divulgou o seguinte comunicado oficial:
“El 16 de febrero de 1951, en la planta piloto de energia atómica em la isla Huemul, de San Carlos de Bariloche, se llevaron a cabo reacciones termonucleares bajo condiciones de control en escala técnica”.

O anúncio teve repercussão internacional, saiu até no New York Times. A Argentina estava a caminho da bomba atômica – e estamos falando de 1951.

Richter adquiriu um prestígio extraordinário diante de Perón. Um decreto presidencial dava-lhe poder absoluto sobre sua ilha em Bariloche e o direito de negar a entrada de qualquer pessoa, exceto Perón.

Uma fortuna foi gasta, Richter tinha também poder absoluto para investir no que quisesse e quanto quisesse, sem ter de dar maiores explicações.

O projeto foi interrompido em setembro de 1952, depois que uma comissão de “científicos” (que é assim que a palavra “cientista” se traduz em espanhol) constatou que tudo não passara de uma fraude.

Richter ainda ficou na Argentina até fevereiro de 1953.


Tudo isto está maravilhosamente retratado na ficção histórica “El Hombre que Engañó a Perón”, do autor argentino Daniel Sorín. Infelizmente, não há tradução para o português.

Na capa do livro, reproduzida aqui, uma foto de Ronald Richter.

Pessoal, vamos estatizar

O informativo diário Teletime News publicou hoje a notícia que transcrevo abaixo.

O Governo Federal pretende "revitalizar" a Telebrás (que, apesar da privatização em 1998, nunca foi extinta) para cuidar do "Plano Nacional de Banda Larga".

Curiosamente, pelos planos do Governo, a Telebrás não estaria vinculada ao Ministério das Comunicações, mas à Casa Civil.

Na verdade, não é assim tão curioso: a Casa Civil é o ninho dos "órfãos das telecomunicações estatais" e de outros "cérebros estatizantes", um pessoal que nunca se conformou com a privatização da Telebrás e que, se pudesse, estatizava tudo, até a produção nacional de pizzas, talvez permitindo que sua comercialização pudesse ser explorada mediante concessões.

Além disso, a estatização tem um benefício colateral: cria um monte de empregos, onde os salários são altos e o trabalho é pouco (até porque tem de ser dividido entre um monte de gente) - além de outras vantagens que todos nós conhecemos bem.

Segue a transcrição da notícia:

"Decreto de criação do plano de banda larga revitaliza Telebrás como gerente de redes
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010, 18h03

Nem bem 2010 começou e o trabalho do governo para criar um Plano Nacional de Banda Larga já resultou em uma minuta de decreto para o ponta-pé inicial do projeto. O documento preliminar vem passando por ajustes desde dezembro de 2009, mas já conta com alguns pontos definidos, segundo fontes que conhecem o texto. O principal aspecto já definido no plano é que a Telebrás é de fato a estatal escolhida para gerenciar o projeto, como já vinha sendo colocado. Fontes que conhecem o documento confirmam que a empresa é citada nominalmente na minuta de decreto, tendo como função o gerenciamento das redes das elétricas que serão usadas para a composição da infraestrutura pública de banda larga, infraestrutura pela qual o plano será posto em prática.

Por ora, ainda não há uma confirmação se todas as fibras das elétricas terão sua gestão transferida para a Telebrás de uma só vez. Há apenas a certeza de que a maior parte dessas redes será de fato controlada pela estatal de telecomunicações, que passará por uma grande mudança de perfil quando o plano for iniciado. Uma das novidades é que a nova Telebrás não será mais um órgão atrelado ao Ministério das Comunicações, como ocorreu no passado, quando a estatal era responsável pela prestação de serviços de telecom no País.

A proposta é que a empresa seja ligada diretamente à Casa Civil. Para isso, a minuta de decreto prevê até agora a criação de cinco cargos comissionados que serão a base de um "grupo coordenador" do plano de banda larga. Esse grupo será da Casa Civil e seus membros ainda não foram definidos."

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Não vi e detestei


Novo filme iraniano na praça: Procurando Elly.

Bonequinho de O Globo aplaudindo de pé, crítica comparando a um filme do Antonioni.

Cruz Credo! Vade Retro! Preciso checar direitinho em que cinemas está passando pra não passar nem na calçada em frente.