Um amigo, baiano é claro, me mandou esta história, que ele garante ser verdadeira. Como a história é muito boa e como eu também adoro a Bahia, aí vai:
Eu estava num passeio em Roma quando, ao visitar a Catedral de São Pedro, fiquei abismado ao ver uma coluna de mármore com um telefone de ouro em cima.
Vendo um jovem padre que passava pelo local. perguntei a razão daquela ostentação.
O padre então me disse que aquele telefone estava ligado a uma linha direta com o Paraíso e que, se eu quisesse fazer uma ligação, eu teria de pagar 100 dólares. Fiquei tentado, porém declinei da oferta.
Continuando a viagem pela Itália, encontrei outras igrejas com o mesmo telefone de ouro na coluna de mármore. Em cada uma das ocasiões, perguntei a razão da existência do telefone de ouro na coluna de mármore e a resposta foi sempre a mesma: linha direta com o Paraíso ao custo de 100 dólares a ligação.
Depois da Itália, voltei Brasil e desembarquei direto em Salvador. Ao visitar a nossa gloriosa Catedral, na famosa Praça do Terreiro de Jesus, fiquei surpreso ao ver novamente a mesma cena: uma coluna de mármore com um telefone de ouro.
Sob o telefone, um cartaz que dizia: LINHA DIRETA COM O PARAÍSO – PREÇO POR LIGAÇÃO = R$ 0,25 (vinte e cinco centavos.
Não me agüentei, e lasquei....
Padre, eu disse, viajei por toda a Itália e, em todas as catedrais que visitei, vi telefones exatamente iguais a este, mas o preço da chamada era 100 dólares. Por que aqui é somente R$ 25 centavos?
O Padre sorriu e disse: “Meu amigo, você está na Bahia. Aqui a ligação é local”.
sábado, 21 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
2012
Fui assistir a 2012 ontem.
Nunca imaginei que pudesse ser tão ruim.
Os diálogos são de uma pieguice insuperável. Os roteiristas ou são débeis mentais ou fizeram uma força imensa para ser - neste último caso, com êxito absoluto.
Os personagens são estereótipos de quinta.
O herói, John Cusack, é um divorciado padrão, motorista de limusine, com uma ex-mulher casada com um cirurgião plástico que tem um Porsche - logo, um cirurgião plástico de sucesso. O cirurgião morre durante as turbulências de 2012 e, imediatamente, a ex-mulher volta às boas com o ex-marido (o John Cusack), os dois trocam palavras de amor e partem para construir uma nova vida com os filhos.
O presidente dos EUA - negro, por certo, o Danny Glover - é um idiota irresponsável heróico (Você acha que esta categoria de pessoa não existe? Eu também acho, mas está lá no filme).
Os efeitos especiais são realmente especiais, valem a pena.
Meu conselho? Espere sair em DVD, leve pra casa e assista somente aos efeitos especiais, pulando os diálogos. Vai ser muito melhor e mais rápido (o filme me pareceu muito longo, mas talvez a sensação decorra de o filme ser uma merda).
Nunca imaginei que pudesse ser tão ruim.
Os diálogos são de uma pieguice insuperável. Os roteiristas ou são débeis mentais ou fizeram uma força imensa para ser - neste último caso, com êxito absoluto.
Os personagens são estereótipos de quinta.
O herói, John Cusack, é um divorciado padrão, motorista de limusine, com uma ex-mulher casada com um cirurgião plástico que tem um Porsche - logo, um cirurgião plástico de sucesso. O cirurgião morre durante as turbulências de 2012 e, imediatamente, a ex-mulher volta às boas com o ex-marido (o John Cusack), os dois trocam palavras de amor e partem para construir uma nova vida com os filhos.
O presidente dos EUA - negro, por certo, o Danny Glover - é um idiota irresponsável heróico (Você acha que esta categoria de pessoa não existe? Eu também acho, mas está lá no filme).
Os efeitos especiais são realmente especiais, valem a pena.
Meu conselho? Espere sair em DVD, leve pra casa e assista somente aos efeitos especiais, pulando os diálogos. Vai ser muito melhor e mais rápido (o filme me pareceu muito longo, mas talvez a sensação decorra de o filme ser uma merda).
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
De Cuba, com carinho
Yoani Sánchez tem 34 anos. É formada em Filologia Hispânica. É casada e tem um filho de 14 anos.
Yoani é cubana e vive em Havana com sua família.
Yoani é blogueira. Em abril de 2007, Yoani começou a escrever o blog Generación Y. Em janeiro de 2009, Generación Y atingiu a marca de 14 milhões de visitas e foi listado, pela revista Time e pela CNN, entre os 25 blogs mais importantes do mundo. Em 2008, Yoani já havia sido eleita pela Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo.
Uma amiga, Cristina Hiba, já havia chamado minha atenção para Generación Y. Agora, acaba de ser lançado, no Brasil, o livro “De Cuba, com carinho”, com uma seleção dos posts de Yoani.
É leitura imperdível, tanto para os que sabem o que é viver em Cuba, quanto para os que ainda insistem que Cuba é um país maravilhoso, uma demonstração de como o comunismo pode levar à felicidade.
Yoani é contra o regime, mas o que ela escreve, ao contrário da pregação dos dirigentes cubanos, é isento de ódio vociferante. Alguns exemplos, extraídos de “De Cuba, com carinho”, que você não pode deixar de ler:
“Tantos braços sem produzir apontam para a essência de um sistema que transformou o trabalho em mera aparência e o salário em uma brincadeira de mau gosto.”
“A cidade mostra hoje as marcas de um constante ataque, mas só foram os projéteis da má administração e as balas do centralismo econômico que moldaram esta paisagem.”
“Um balde em uma mão, o travesseiro debaixo do braço e o ventilador apoiado nos quadris. Entro pela porta do hospital oncológico e a mochila que avulta sobre o meu ombro não deixa que o guarda veja o meu rosto. Pouco importa, pois as famílias dos pacientes têm mesmo que levar tudo e o homem já está acostumado com isso... A sala tem uma luz tênue e o ar cheira a dor. Começo a desempacotar o que trouxe. Tiro o saquinho de detergente e o aromatizante com os quais vou limpar o banheiro cujo ‘aroma’ inunda todo o ambiente. Com o balde vamos poder dar banho na paciente e descarregar a privada, pois a válvula de água não funciona... Uma mulher passa gritando que vende pães com presunto para os acompanhantes e eu me tranco no banheiro, que cheira a jasmim depois da minha limpeza.”
“A matemática nos confronta com certas verdades infalíveis: o número dos insatisfeitos aumenta, mas o grupo dos que aplaudem não ganha novas ‘almas’. Como uma ampulheta, a cada dia centenas de pequenas partículas de desapontados vai parar exatamente no lado contrário àquele em que estiveram uma vez. Elas caem na direção do montinho formado por nós, os céticos, os excluídos e o coro imenso dos indiferentes. Não existe mais volta para o lado da confiança, porque nenhuma mão poderá virar a ampulheta, pôr para cima o que hoje está definitivamente para baixo. O tempo de multiplicar ou somar passou há muito e agora os ábacos operam sempre com subtrações, marcam a interminável fuga em um só sentido.”
“Se ao menos fôssemos mais livres. Se todas essas necessidades materiais não se concretizassem também em uma longa corrente que faz de cada cidadão um servo do Estado. Se a condição de humildes fosse uma escolha voluntariamente assumida e especialmente praticada por aqueles que nos governam. Mas não. A renovada exaltação da humildade lançada por Raúl Castro neste primeiro de janeiro confirma o aprendizado de décadas de crise econômica: que a pobreza é um caminho que leva à obediência.”
Yoani é cubana e vive em Havana com sua família.
Yoani é blogueira. Em abril de 2007, Yoani começou a escrever o blog Generación Y. Em janeiro de 2009, Generación Y atingiu a marca de 14 milhões de visitas e foi listado, pela revista Time e pela CNN, entre os 25 blogs mais importantes do mundo. Em 2008, Yoani já havia sido eleita pela Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo.
Uma amiga, Cristina Hiba, já havia chamado minha atenção para Generación Y. Agora, acaba de ser lançado, no Brasil, o livro “De Cuba, com carinho”, com uma seleção dos posts de Yoani.
É leitura imperdível, tanto para os que sabem o que é viver em Cuba, quanto para os que ainda insistem que Cuba é um país maravilhoso, uma demonstração de como o comunismo pode levar à felicidade.
Yoani é contra o regime, mas o que ela escreve, ao contrário da pregação dos dirigentes cubanos, é isento de ódio vociferante. Alguns exemplos, extraídos de “De Cuba, com carinho”, que você não pode deixar de ler:
“Tantos braços sem produzir apontam para a essência de um sistema que transformou o trabalho em mera aparência e o salário em uma brincadeira de mau gosto.”
“A cidade mostra hoje as marcas de um constante ataque, mas só foram os projéteis da má administração e as balas do centralismo econômico que moldaram esta paisagem.”
“Um balde em uma mão, o travesseiro debaixo do braço e o ventilador apoiado nos quadris. Entro pela porta do hospital oncológico e a mochila que avulta sobre o meu ombro não deixa que o guarda veja o meu rosto. Pouco importa, pois as famílias dos pacientes têm mesmo que levar tudo e o homem já está acostumado com isso... A sala tem uma luz tênue e o ar cheira a dor. Começo a desempacotar o que trouxe. Tiro o saquinho de detergente e o aromatizante com os quais vou limpar o banheiro cujo ‘aroma’ inunda todo o ambiente. Com o balde vamos poder dar banho na paciente e descarregar a privada, pois a válvula de água não funciona... Uma mulher passa gritando que vende pães com presunto para os acompanhantes e eu me tranco no banheiro, que cheira a jasmim depois da minha limpeza.”
“A matemática nos confronta com certas verdades infalíveis: o número dos insatisfeitos aumenta, mas o grupo dos que aplaudem não ganha novas ‘almas’. Como uma ampulheta, a cada dia centenas de pequenas partículas de desapontados vai parar exatamente no lado contrário àquele em que estiveram uma vez. Elas caem na direção do montinho formado por nós, os céticos, os excluídos e o coro imenso dos indiferentes. Não existe mais volta para o lado da confiança, porque nenhuma mão poderá virar a ampulheta, pôr para cima o que hoje está definitivamente para baixo. O tempo de multiplicar ou somar passou há muito e agora os ábacos operam sempre com subtrações, marcam a interminável fuga em um só sentido.”
“Se ao menos fôssemos mais livres. Se todas essas necessidades materiais não se concretizassem também em uma longa corrente que faz de cada cidadão um servo do Estado. Se a condição de humildes fosse uma escolha voluntariamente assumida e especialmente praticada por aqueles que nos governam. Mas não. A renovada exaltação da humildade lançada por Raúl Castro neste primeiro de janeiro confirma o aprendizado de décadas de crise econômica: que a pobreza é um caminho que leva à obediência.”
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