segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Camiseta bem escolhida

O dono da loja de fogos de artifícios que explodiu em Santo André na semana passada deu, hoje, uma entrevista coletiva.
Na camiseta que ele usou na entrevista, estava estampado WIPE OUT.
Wipe out significa eliminar ou extirpar e, na linguagem do surfe, virar de cabeça pra baixo pelo efeito de uma onda.
Mais apropriado, impossível.

sábado, 26 de setembro de 2009

Isa

Isa está dormindo. Profundamente como sempre, depois da pílula habitual. Também como sempre, estou acordado, sentado na poltrona do quarto, admirando Isa enquanto ela dorme. Faço isso todas as noites, fico ali sentado admirando-a, às vezes por até duas horas, nunca por menos de uma hora. Só depois vou dormir.

Isa tem 1,75m de altura e, quando ganhou o concurso de Miss Brasil, há cinco anos, tinha exatos 90 cm de busto, 60 cm de cintura e 90 cm de quadril – nesse negócio de misses, estas medidas são super importantes, a gente decora mesmo sem querer, e, a bem da verdade, como vocês já puderam verificar, as medidas de Isa eram mais do que perfeitas.

À altura e às medidas de busto, cintura e quadril, acrescente a pele morena, os cabelos longos e ondulados e os olhos verdes de Isa e você terá a mulher perfeita.

Isa tem hoje trinta anos e estamos casados há três.

Sinceramente, nunca soube o que Isa viu em mim. Sou mais baixo do que ela – e ainda mais baixo quando ela usa saltos altos. Não sou bonito, muito pelo contrário. Do corpo, nem se fala – não me lembro de mim sem uma barriga que se acentuou com os anos, que já são quarenta e dois, doze a mais do que Isa. Não sou rico nem brilhante, tenho um emprego comum, que dá pra viver com certo conforto, mas sem luxos. Nunca me destaquei, nem na escola, nem no trabalho.

Apesar de tudo isso, Isa me escolheu.

Começamos a namorar quando ela ainda era Miss Brasil, ficamos noivos logo depois que ela entregou cetro e coroa à sua sucessora – de novo, jargão de misses, desculpem, acostumei-me.

Agora, confesso: nos primeiros anos, foi foda.

Isa era uma deusa da beleza, admirada e cortejada por todos os homens que se acercavam dela. E não eram poucos. E Isa gostava de ser admirada e cortejada, dizia-me que isto era parte de seu papel de Miss Brasil, que era assim mesmo, que ela não podia deixar de atender suas obrigações de Miss, mas que eu ficasse tranquilo, eu era o homem da vida dela, nunca passava nem passaria pela cabeça dela a idéia de trair-me, nem em pensamento.

Eu, evidentemente, fingia que acreditava, mas morria de ciúmes, vivia inseguro, estava sempre imaginando que seria abandonado por um daqueles homens charmosos, ricos e bonitos que viviam à volta de Isa.

Isa deixou de ser Miss Brasil, mas não deixou de ser uma deusa.

Iniciou uma carreira de modelo, logo era capa de revista, reconhecida e admirada e olhada com cobiça pelos homens – e até por algumas mulheres – onde quer que fôssemos.

Isa continuava me dizendo pra ficar tranquilo, que a maioria dos homens no mundo da moda era viado, que eu continuava sendo o único homem da vida dela. Mas eu continuava inseguro, eu via aqueles olhares comendo Isa, e eu sabia que, mais dia menos dia, ela me trocaria por outro.

Aí, aconteceu o acidente.

O carro de Isa, que ela ganhou quando ganhou o concurso de Miss Brasil, foi abalroado por outro. Isa estava dirigindo, a batida foi violenta, Isa ficou presa nas ferragens, a perna esquerda esmagada.

Não houve jeito, a perna teve que ser amputada.

Fim da carreira de modelo. Isa deixou de ser admirada e cobiçada pelos homens – e por algumas mulheres – e virou objeto de pena e comiseração. Não quis mais sair de casa, tinha vergonha de usar muletas ou cadeira de rodas. Nunca mais fizemos sexo.

Mas continuou a deusa da beleza que sempre foi. Ali, deitada, dormindo o sono profundo da pílula de todas as noites, continua a deusa da beleza de sempre.

Como todas as noites, estou ali sentado admirando Isa, a minha deusa.

Não me sinto mais inseguro.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Dicas para ajudar a ler The Lost Symbol

As duas dicas abaixo vão ajudar bastante na leitura de The Lost Symbol do Dan Brown.
Em breve, publicarei fotos que também ajudarão na leitura.

Há um mapa interativo onde você poderá encontrar todas as locações do livro.
Está no site:
http://find.mapmuse.com/re1/map_brand_mm2.php?maptyp=G_SATELLITE_MAP&brandID=LOST_SYMBOL_LOCATIONS&tlist=LOST_SYMBOL_LOCATIONS,&sptp=LOST_SYMBOL_LOCATIONS&spzm=16&spid=41

A The Masonic Society desenvolveu um site com informações sobre a Maçonaria relacionadas ao livro.
O endereço é:
http://www.freemasonlostsymbol.com/,

Na falta de assunto ...

Na época em que os soldados usavam armaduras, eles deviam levantar o elmo cada vez que desfilavam ou passavam diante do comandante ou do soberano (o elmo, se você não sabe, é aquela "grelha" que, no capacete, protege o rosto; como a viseira dos capacetes da Fórmula 1, e com a mesma mobilidade).

Imagine o gesto. Ou melhor, faça-o: imagine que você está levantando o elmo (ou a viseira) com a mão direita.

Percebeu: esta é a origem do estranho gesto que á a continência dos nossos dias.

Esta informação é, de maneira geral, inútil - mas poderá ser muito útil quando, numa conversa, ocorrer aquela constrangedora situação da falta de assunto.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

The Lost Symbol, o mais recente livro do Dan Brown

Acabo de ler The Lost Symbol, o mais recente livro do Dan Brown, lançado no dia 15 de setembro nos EUA.

Em resumo: mais do mesmo, mas muito bom, embora muito aquém de O Código Da Vinci.

A estrutura é a mesma. Uma mão decepada que aparece na Rotunda do Capitólio em Washington, D.C., corresponde ao corpo que aparece no Louvre no Da Vinci. Ambos, mão decepada e corpo, fazem indicações que levam o mesmo Robert Langdon a partir em uma aventura de tirar o fôlego, desvendando enigma após enigma.

Desta vez, toda a ação está circunscrita a Washington, D.C., e a uma única noite. Como no Da Vinci, as mesmas locações verdadeiras servem de cenário, as mesmas referências a obras de arte ajudam a decifrar os enigmas. Tudo se passa na busca dos “Antigos Mistérios”, que estariam enterrados em algum lugar em Washington.

Em The Lost Symbol, a Maçonaria divide com Langdon o papel principal. Mas a Maçonaria é “do bem”, enaltecida pelo Dan Brown no livro todo. O vilão é um camarada super musculoso, super cruel e todo tatuado, que busca os “Antigos Mistérios” para completar sua “transformação”. Mistura evidente do personagem do Ralph Fiennes em O Dragão Vermelho com a crueldade do Hannibal neste e em outros filmes.

Parece que eu não gostei, mas gostei muito. Pra quem gosta de aventuras bem construídas e que são page turning, um prato cheio. Literatura de consumo, mas da boa.

Evidentemente, sem o charme de O Código Da Vinci, mas não é todo dia que se lê um livro em que a tatata...taraneta de Jesus e Maria Madalena é uma das protagonistas. O desfecho em The Lost Symbol é um pouco decepcionante, principalmente quando comparado ao de O Código Da Vinci, mas o livro vale a pena. Recomendo.