Ana e Dilermando estavam na casa deste na Piedade quando Euclides apareceu e, revólver em punho, começou a atirar. Dinorah, irmão de Dilermando, foi ferido. Dilermando também. Dilermando, aspirante a oficial do Exército e campeão de tiro, revidou e matou Euclides.

O caso ganhou manchetes sensacionalistas, era a tragédia da Piedade. A moral e a lei da época justificavam a atitude de Euclides contra sua mulher adúltera e seu amante. Dilermando foi preso, julgado e absolvido duas vezes.
Em liberdade, Dilermando e Ana casaram-se.
No dia 4 de julho de 1916, Euclides da Cunha Filho tentou vingar o pai. Surpreendeu Dilermando num cartório e disparou contra ele, atingindo-o várias vezes. Novamente, Dilermando revidou e matou Euclides Filho. Não morreu, foi novamente julgado e novamente absolvido.
Dilermando e Ana tiveram vários filhos, mas não viveram felizes para sempre. Dilermando encontrou Marieta, por quem deixou Ana. Depois da morte desta, Dilermando e Marieta casaram-se.
Dinorah, ferido na tragédia da Piedade, foi titular do Botafogo quando este ganhou o campeonato de 1910 (está no hino do clube). Mas a bala do tiro de Euclides, que não havia sido retirada e alojara-se na coluna de Dinorah, cobrou seu preço com o tempo. Dinorah ficou parapéglico, tornou-se alcoólatra, esteve internado num hospício e acabou suicidando-se atirando-se no rio Guaíba.
Outro filho de Euclides e Ana afastou-se do Rio após a tragédia da Piedade. Foi trabalhar no Acre, onde acabou morto a tiros.

Tudo isto está maravilhosamente contado no mais recente livro da Mary del Priore, autora, dentre outros, do excelente O Príncipe Maldito. Trata-se de Matar para não Morrer – A Morte de Euclides da Cunha e a Noite sem Fim de Dilermando de Assis.
Recomendo entusiasticamente.


